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Taça amarga

Dor nos meus olhos de ver os olhos dela

Dores no esôfago, peito e estômago

Dores de boca em boca

Querendo ser vomitadas

Outras dores ainda

Ouvidos

Pele

Narinas

Cotovelo

Todas mastigam como carrapatos

Dores querem ser semeadas

 



Escrito por Mauro Siqueira às 16h13
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Estamos fodidos

O diabo não quer baixas em suas fileiras

Escrito por Mauro Siqueira às 10h28
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Alto lá

Olá?

Quem será?

O que pode fazer?

O que posso esperar?

Ei!

Já te vi!

Te reconheço!

Minha imagem no espelho.



Escrito por Mauro Siqueira às 00h15
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Entre nós

Que graça

Seu olhos sumiram

 

...

 

Seu corpo parou de tremer

Quando seus olhos voltaram



Escrito por Mauro Siqueira às 16h15
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Musa

Nem sei bem que dia você foi embora.

Na véspera, tua presença tinha densidade.

A madrugada ainda nos encontrou bem.

Mas pela manhã, você não estava mais.

Não te vi sair.

Pra ser sincero, nem reparei que você tinha ido.

Isso só fui perceber meses depois...

meu coração parou de bater,

minha cabeça ficou sem pensamentos,

meus lábios não quiseram se abrir mais.

Não foi triste.

Apenas me dei conta da tua ausência.

Talvez tivesse mandado flores se me lembrasse de você.

Mas não era o caso.

As flores você traz no dia em que voltar.



Escrito por Mauro Siqueira às 10h17
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Medo

Um caminho que não acaba

Uma estrada árida

Uma zoada estridente

Outros passos além destes

Melhor andar mais rápido

Mesmo sem alcançar abrigo

Meus demônios sou eu mesmo



Escrito por Mauro Siqueira às 19h41
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Volte sempre, nega!

Contribuição da minha amiga Paula, que acha que este é “um espaço de elaboração psíquica - com formatação poética -, e um tanto sobre as dificuldades amorosas...”

Atitude (Flora Figueredo)

Esse seu silêncio

soa como um grito,

abafado em pavor.

Só faz denunciar os danos que causei

desculpe o mau jeito,

mas comporto,

em minha cota de defeitos,

não levar junto os enganos que amei.



Escrito por Mauro Siqueira às 11h08
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Oração para você

Me faça escudo.

Que minha existência justifique tua vilania.

Vou ser o bode expiatório do teu insucesso.

Te fiz perder num jogo roubado.

Agora me use.

Fale mal de mim com alma limpa.

Me faça seu devedor e venha me cobrar.

Mas não erre pedindo algo que eu tenha.

Sinta-se pura.

Eu serei para sempre o seu oposto.

A mãe e o pai da mentira moram em mim.

O Deus no meu coração saiu de férias.

Você está protegida.



Escrito por Mauro Siqueira às 02h23
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Pra não te ver amanhã

 

Te vi mais uma vez.

 

Você usava uma camisa branca, um dragão nas costas.

 

A saia era curta, preta, justa.

 

E tinha uns sapatos verdes, não esqueço.

 

Sua maquiagem era grave, gótica.

 

Os cabelos amarrados em coque te faziam mais alta.

 

Magra, seios fartos e alta. Quase da altura da sua braveza.

 

Uma zanga pedindo para ser amansada.

 

E eu nem sabia que ia ser a última vez que te via.

 

Não um não te ver definitivo, mas um te ver só pra mim.

 

Aquela era a última vez, a última festa.

 

Depois você se foi. Já faz anos já.

 

Lembro sem tristeza, sem remorso, sem saudade, sem dor...

 

(exceto por uma pontada leve e indisfarçada).

 

Não ressuscite. Não quero pisar mais aquelas ruas antigas.

 

Não quero ter que dizer amanhã que te vi mais uma vez.

 



Escrito por Mauro Siqueira às 02h04
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21 e 57

Ontem te vi passar. Seu carro estava lento o suficiente para que eu percebesse sua cara amarrada. Acho que você me olhou também. Um guardador de carros me seguia. Parou atrás de mim quando estanquei. Ele não entendeu porque. Você estava bonita com os cabelinhos de anjo e beicinho de brava. Ele não viu, só eu.

 

Eu acabava de sair da aula. Cheguei na sua rua às nove e cinqüenta e sete, bem a tempo de te ver. Ali estava uma menina linda, de aura dourada, com cara de zanga, dirigindo um carro sujo. Era pra não gostar, mas gostei. Tinha ido caminhar, espairecer. Te ver na rua foi acidente. Já podia ir pra casa. Me sentia leve o bastante para dormir. Sonhei que era um carro quebrado. Estranho. Nunca tinha me sonhei assim coisificado.

 

Sentei aqui de madrugrada. Não era pra te escrever, juro. Muita coisa me lembra você aqui desta cadeira. Penso naquele instante, às nove e cinqüenta e sete da noite. Sem esforço, me lembro de tudo: atravessei a rua... seu carro não parou... você passou por mim às nove e cinquenta e sete da noite.



Escrito por Mauro Siqueira às 22h17
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Olhos nos olhos

De quantos sentidos você precisa para enxergar sua verdadeira natureza?

 

                               http://www.alexgrey.com/



Escrito por Mauro Siqueira às 00h39
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Descendo a escadaria

 
Essa é uma resposta que estou guardando para algum dia, para não ter que ir embora sem dizer nada.
"l'esprit d'escalier signifie le fait de ne pas pouvoir répliquer sur le moment, de réagir après coup". 
 
Já sabia. Não estou surpreso. Estava esperando saber isso de você. 
Saber que você já está cansada, que não tem mais de onde tirar energia pra nos alimentar. 
Faz dias que vejo isso, que te provoco e tiro de você uma tristezinha contida. 
Eu já sabia. Você já tinha me avisado que tudo isso ia se tornar insustentável nalgum momento. 
O que dizer agora? Há algo que valha a pena? 
Sabe, também te olho muito. Nos olhos, nos cabelos, no jeito de andar. Jeito de se mexer... 
(quem te autorizou a tirar as palavras da minha boca?). 
Mas você me entra mais é pelo nariz. 
Gosto quando você se esquece na minha casa. 
Tudo fica com seu cheiro e eu não me sinto sozinho. 
Mas você fica, né? Você não vê espaço pra sua paixão.
Eu sabia que isso ia acontecer. 
E acho que não é apenas porque somos diferentes em tempos e essências. 
Sei que isso é bom e é rico, mas às vezes atrapalha. 
Como quando você quer me provocar e eu quero me concentrar. 
Quando você quer que eu te olhe e eu quero olhar pro lado. 
Quando você quer carinho e eu quero descansar. 
Quando você acorda tarde e eu acordo cedo.
Quando você acorda cedo e eu acordo tarde. 
É tanto quando que também sinto medo. 
E suas perguntas? Talvez eu saiba responder “o que há que tão pouco transamos?”. 
Preciso virar minha vida pro lado certo. Você podia me ajudar. 
E sim, transar com você é bom demais. Gostar tanto assim é o problema, não o contrário. 
Que grilo mais bobo. 
Mas não sei o que dizer para “porque você me afasta quando quero te tocar?”. 
Já ouvi isso antes. Tem remédio? 
As palavras são as tuas ondas, não as minhas... 


Escrito por Mauro Siqueira às 21h22
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                          ESCRITOS COM O CORPO

I

 

Ela tem tal composição

e bem extremada sintaxe,

que só se pode apreendê-la

em conjunto: nunca em detalhe.

 

Não se vê nenhum termo, nela,

em que a atenção mais se retarde,

e que, por mais insignificante,

possua, exclusivo, sua chave.

 

Nem é possível dividi-la,

como a uma sentença, em partes;

menos do que nela é sentido,

se conseguir uma paráfrase.

 

E assim como, apenas completa,

ela é capaz de revelar-se,

apenas um corpo completo

tem, de apreendê-la, faculdade.

 

Apenas um corpo completo

e sem dividir-se em análise

será capaz do corpo a corpo

necessário a quem, sem desfalque,

 

queira prender todos os temas

que pode haver no corpo frase:

que ela, ainda sem se decompor,

revela então, em intensidade



Escrito por Mauro Siqueira às 11h21
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II

 

De longe como Mondrians

em reproduções de revista

ela só mostra a indiferente

perfeição da geometria.

 

Porém de perto, o original

do que era antes correção fria,

sem que a câmara da distância

e suas lentes interfiram,

 

porém de perto, ao olho perto,

sem intermediárias retinas,

de perto, quando o olho é tato,

ao olho imediato de cima,

 

se descobre que existe nela

certa insuspeita energia

que aparece nos Mondrians

se vistos na pintura viva.

 

E que porém de um Mondrian,

num ponto se diferencia:

em que nela essa vibração,

que era de longe impercebida,

 

pode abrir mão da cor acesa

sem que um Mondrian não vibra,

e vibrar com a textura em branco

da pele, ou da tela, sadia.



Escrito por Mauro Siqueira às 11h20
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                           III

 

Quando vestida unicamente

com a macieza nua dela,

não apenas sente despido:

sim, de uma forma mais completa.

 

Então, de fato, está despido,

senão dessa roupa que é ela.

Mas essa roupa nunca veste:

despe de uma outra mais interna.

 

É que o corpo quando se veste

de ela roupa, da seda ela,

nunca sente mas definido

como com as roupas de regra.

 

Sente ainda mais que despido:

pois a pele dele, secreta,

logo se esgarça, e eis que ele assume

a pele dela, que ela empresta.

 

Mas também a pele emprestada

dura bem pouco enquanto véstia:

com pouco, ela toda, também,

já se esgarça, se desespessa,

 

até acabar por nada ter

nem de epiderme nem de seda:

e tudo acabe confundindo,

nudez comum, sem mais fronteira.



Escrito por Mauro Siqueira às 11h20
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