Pra não te ver amanhã
Te vi mais uma vez.
Você usava uma camisa branca, um dragão nas costas.
A saia era curta, preta, justa.
E tinha uns sapatos verdes, não esqueço.
Sua maquiagem era grave, gótica.
Os cabelos amarrados em coque te faziam mais alta.
Magra, seios fartos e alta. Quase da altura da sua braveza.
Uma zanga pedindo para ser amansada.
E eu nem sabia que ia ser a última vez que te via.
Não um não te ver definitivo, mas um te ver só pra mim.
Aquela era a última vez, a última festa.
Depois você se foi. Já faz anos já.
Lembro sem tristeza, sem remorso, sem saudade, sem dor...
(exceto por uma pontada leve e indisfarçada).
Não ressuscite. Não quero pisar mais aquelas ruas antigas.
Não quero ter que dizer amanhã que te vi mais uma vez.
Escrito por Mauro Siqueira às 02h04
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